"A memória nega o Amor", J. Krishnamurti

"Será possível amar sem a interferência do pensamento? O que entendem por pensamento? O pensamento é uma resposta às memórias de dor ou de prazer. Não existe pensamento sem o resíduo que é deixado pelas experiências incompletas.

 

O amor é diferente da emoção e do sentimento. O amor não pode ser trazido para o campo do pensamento; ao passo que o sentimento e a emoção podem. O amor é uma chama sem fumo, sempre viva, criativa, alegre. Um tal amor é perigoso para a sociedade, para o relacionamento. Portanto, o pensamento entra em cena, modifica-o, guia-o, legaliza-o, coloca-o fora de perigo; então podemos viver com ele.

 

Não sabem que qundo amam alguém, amam toda a humanidade? Não sabem o quanto é perigoso amar o Homem? Quando tal acontece, não existem barreiras, nacionalidades; quando tal acontece, não existe nenhuma ânsia de poder e de posição, e as coisas assumem os seus devidos valores. Um homem assim constitui um perigo para a sociedade.

 

Para que o amor possa existir, o processo da memória tem de terminar. A memória só aparece quando a experiência não é total e completamente compreendida. A memória é apenas o resíduo da experiência; é o resultado de um desafio que não está inteiramente compreendido. A vida é um processo de desafio que não está inteiramente compreendido. O desafio é sempre novo, mas a resposta é sempre velha. Esta resposta, que é condicionamento, que é o resultado do passado, deve ser compreendida e não disciplinada ou condenada e posta de lado. Este viver de modo completo só é possível quando existe amor, quando o vosso coração está repleto, mas não de palavras ou das coisas criadas pela mente. Só onde existe amor deixa de haver memória; então cada movimento é um renascimento."

 in "A Vida - Reflexões de um dos maiores pensadores do nosso tempo", p.151.

Editorial Presença, Lisboa 2007


Q: Et congue duis?

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Setrok Layl, 2008

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