"O Cérebro como Computador Quântico", Ervin Laszlo
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A importância dos "Neurónios espelho"
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“O Universo Autoconsciente”, de Amit Goswami (fragmentos)
Parte I. Consciência, Ego, Separatividade, Self Quântico e vivência não-local. 
“(…) Embora o self da nossa auto-referência seja consequência de uma hierarquia entrelaçada, a consciência que possuímos é a do Ser que está além da divisão sujeito-objecto. Não há no universo outra fonte de consciência. O self da auto-referência e a consciência da consciência original, juntos, constituem o que denominados de autoconsciência.”
(…) “É a aparência do mundo da manifestação que nos leva à experiência de um self, ou sujeito, separado dos objectos aparentes. Isto é, sujeito e objecto manifestam-se simultaneamente no colapso inicial do estado quântico do cérebro-mente.” (…) “sem o mundo imanente da manifestação, não haveria nem alma nem um self que se vivenciasse a si mesmo como separado dos objectos que percebe.” (…) “Antes do colapso, o sujeito não se diferencia dos arquétipos dos objectos da experiência – físicos ou mentais. O colapso produz a divisão sujeito-objecto, o que leva à percepção primária do estado-de-si-mesmo que chamaremos de self quântico.”
(…) “Não podemos escapar ao facto de o mundo que conhecemos ser construído a fim de se ver a si mesmo”, diz o matemático G. Spencer Brown, «mas, para que isso aconteça, ele tem que se dividir em um estado que vê e em pelo menos um estado em que é visto.” Os mecanismos dessa divisão sujeito-objecto são as ilusões estranhas da hierarquia entrelaçada e da identidade do self com o centro das nossas experiências passadas, que chamamos de ego. De que modo surge essa identidade do ego?
O cérebro-mente é um sistema dual quântico/mecanismo de medição. Como tal é único: é o local onde acontece a auto-referência de todo o universo. O universo é autoconsciente através de nós. Em nós o universo divide-se em dois – em sujeito e em objecto. Após observação feita pelo cérebro-mente, a consciência produz o colapso da função da onda quântica e põe fim à cadeia de von Neumann. Eliminamos a cadeia ao reconhecer que a consciência que a consciência
produz o colapso da função de onda quando actua auto-referencialmente, e não dualisticamente. De que maneira um sistema auto-referencial difere de uma simples combinação de objectos quânticos e mecanismos de medição? A resposta é de importância crucial.
O mecanismo de medição do cérebro, tal como de todos os demais do mesmo tipo, cria uma memória de cada colapso – isto é, todas as experiências que temos como reacção a um dado estímulo. Além disso, se o mesmo estímulo, ou um outro semelhante, é reapresentado, o registo clássico do cérebro reproduz a velha memória. Esta reprodução torna-se um estímulo secundário para o sistema quântico, que reponde em seguida. O sistema clássico mede a nova resposta e assim continua. Essa interacção repetida de medições ocasiona uma mudança fundamental no sistema quântico do cérebro-mente, fazendo-o perder o seu carácter regenerativo.”

(…) “Antes que a resposta a um dado estímulo se torne condicionada, antes de a experimentarmos pela enésima vez, o conjunto de probabilidades, de entre as quais a consciência escolhe a nossa resposta, abrange os estados mentais comuns a todas as pessoas, em todos os lugares, em todos os tempos. Com o aprendizado (ou experiência anterior), as respostas condicionadas começam gradualmente a ganhar mais peso sobre as outras. Este é o processo de desenvolvimento do comportamento condicionado, aprendido, da mente do indivíduo.
Uma vez aprendida a tarefa, em todas as situações que a envolvam, estará presente, em quase 100 por cento, a probabilidade de que uma memória correspondente desencadeie uma resposta condicionada. Nesse limite, o comportamento do sistema dual quântico/mecanismo de medição torna-se virtualmente clássico (Behaviorista).”
“Desde muito cedo no desenvolvimento biopsicológico do indivíduo, numerosos programas aprendidos acumulam-se e dominam [modulam**] o comportamento do cérebro-mente – a despeito do facto de que as respostas quânticas não condicionadas estão disponíveis para novas experiências criativas (especialmente como resposta a estímulos não aprendidos ainda). Mas, se a potência criativa do componente quântico deixa de ser usada, a hierarquia entrelaçada dos componentes interactuantes do cérebro-mente torna-se, na verdade, uma hierarquia simples de programas aprendidos, clássicos: os programas mentais reagem entre si numa hierarquia bem definida. Nesse estágio, a incerteza criativa sobre “quem é que escolhe” numa experiência consciente é eliminada; começamos a assumir um self (ego) separado, individual, que escolhe e que tem livre-arbítrio.”
Para ampliar a explicação deste conceito [quem é que escolhe], suponhamos que um estímulo aprendido chega ao cérebro-mente. Em resposta, o sistema quântico e o seu mecanismo clássico de medição, expandem-se como superposições coerentes, mas são fortemente ponderados em favor da resposta aprendida. As memórias dos computadores clássicos respondem também com programas aprendidos, associados a um dado estímulo [input**]. Após o evento do colapso associado à experiência primária, ocorre uma série de processos de colapsos secundários. O sistema quântico desenvolve-se em estados relativamente inequívocos, em resposta aos programas clássicos, aprendidos, e cada um deles é amplificado e sofre colapso. Esta série de processos resulta em experiências secundárias, que apresentam um aspecto característico, tal como actividade motora habitual, pensamentos (por exemplo, eu fiz isto), e assim por diante. Os programas aprendidos, que contribuem para os eventos secundários, são ainda partes de uma hierarquia entrelaçada, uma vez que, seguindo-os, deparamos com um rompimento na sua cadeia causal que corresponde ao papel do sistema quântico e ao seu colapso, produzidos por consciência não-local. Essa descontinuidade, no entanto, é obscurecida e interpretada como "Na nossa ignorância, identificamo-nos com uma versão limitada do sujeito cósmico e concluímos: eu sou este corpo-mente" um acto de livre-arbítrio de um (pseudo) self; e é acompanhado por uma (falsa) identificação do sujeito não-local com um self individual limitado, associado aos programas aprendidos. É a isso que chamamos de ego. Evidentemente, o ego é o nosso self clássico.
Para sermos exactos, a nossa consciência é, em última análise, unitiva e encontra-se no nível transcendente, que agora conhecemos como o nível inviolado. Com início no espaço-tempo físico (do ponto de vista dos programas clássicos do nosso cérebro-mente), contudo, tornamo-nos possuídos pela identidade individual: o ego. A partir de dentro, pouco podendo fazer para descobrir a natureza hierárquica entrelaçada do nosso sistema, alegamos possuír livre-arbítrio e com isso disfarçamos a nossa assumida limitação. A limitação decorre do facto de aceitarmos o ponto de vista dos programas aprendidos, que actuam causalmente uns sobre os outros. Na nossa ignorância, identificamo-nos com uma versão limitada do sujeito cósmico e concluímos: eu sou este corpo-mente.
Como vivenciador real da consciência não-local, eu opero a partir de fora do sistema –transcendendo o meu cérebro-mente, localizado no espaço tempo-, por detrás do véu da hierarquia entrelaçada dos sistemas de meu cérebro-mente. A minha separatividade –o meu ego- emerge apenas como instrumento manifesto do livre-arbítrio desse “Eu” cósmico, obscurecendo a descontinuidade no espaço-tempo, representada pelo colapso do estado quântico cérebro-mente.”
Amit Goswami, “O Universo Autoconsciente”
(Continua)
“O mundo imanente não é Maya; nem mesmo o ego o é. A verdadeira maya é a separatividade. Sentirmo-nos e pensarmos que somos realmente separados do todo, eis a ilusão.” * Para mais informações sobre a cadeia de von Neumann seguir o »» link «« ** Nota do Tradutor
Fernando Cortes Leal (Setrok Layl), Dezº 2009
