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"Big Mind - Big Heart"
"Há uma consciência transcendente, uma Grande Mente, um Grande Coração, presente e prontamente acessível a qualquer um de nós. Quando entendemos isso, vemos que é a fonte da verdadeira paz, felicidade, satisfação, coragem e alegria. E contudo, não sabemos como aceder a essa consciência, não sabemos como trazê-la à nossa consciência. Não sabemos como manifestá-la e incorporá-la.
Durante os últimos trinta e seis anos, tenho procurado uma forma de ajudar as pessoas a aceder a essa consciência. Em Junho de 1999, depois de muito estudo e dificuldades, finalmente encontrei uma forma simples e efectiva que tenho vindo a explorar e a refinar desde então. Chamo-a de processo Big Mind/Big Heart, ou, simplesmente de Big Mind.
De uma certa forma tudo começou durante um fim-de-semana no princípio de Fevereiro de 1971, quando estava a acampar com dois amigos no deserto Mojave. Sentado sozinho no cimo de uma pequena montanha, dava-me conta de até que ponto, com a idade de vinte e seis anos, já tinha dado cabo da minha vida. Sentia-me aprisionado numa relação que certamente não começara assim. Antes disso, tivera uma relação em que sentira que tinha de romper ou enlouqueceria. Agora, menos de três anos depois, os mesmos sentimentos vinham à superfície. Tinha vindo para o deserto para ter algum espaço.
Do cimo daquela montanha, podia ver a minha caravana VW estacionada a poucos quilómetros de distância, no lugar onde planeávamos acampar nas próximas duas noites. Comecei a pensar no meu apartamento de Long Beach, na Califórnia, onde ensinava o ensino básico a crianças do ensino especial, do 4.º, 5.º e 6.º anos, e onde vivia, em frente à praia, com a minha namorada. Duas questões vieram-me naturalmente à cabeça: como é que eu podia estar naquele estado, e onde era a minha casa?
Onde é a minha casa? É um bom princípio para qualquer um de nós. Na realidade, é o princípio, quando nos damos conta que falta alguma coisa. Não sabemos o quê. É um mistério. Contudo temos esta sensação, há uma espécie de acordar para o que poderíamos chamar espiritualidade, ou apenas consciencialização, e começamos à procura do que falta, sem mesmo saber o que é.
A mente desperta está sempre a enviar-nos uma espécie de sinal. A mente desperta, ou o que quer que lhe queiramos chamar, está sempre a tentar emergir, a chamar-nos de volta a casa. Alguém disse que o nosso único mal, são as saudades, e que temos saudades porque não estamos em casa; e contudo, claro, seja onde for que estejamos, estamos em casa. Mas não o sentimos; sentimo-nos alienados da nossa própria casa e de nós mesmos.
Penso que uma das coisas que sempre procuramos, é perceber como estar em casa seja onde for que estejamos, como estar em casa no nosso próprio corpo, como estar em casa em nós mesmos. É como um instinto ”caseiro“. Somos como o pombo-correio que parece sempre ter este extraordinária habilidade de saber como encontrar o caminho para casa.
Chamo a isso a Mente que Procura o Caminho ou a Verdade. Por vezes essa mente não está desperta. No momento em que desperta, a nossa vida muda radicalmente. Nesse momento, as nossas prioridades mudam. Muitas das coisas que até então pareciam tão importantes – segurança, fama, posses, riqueza – todas essas coisas parecem recuar. O que se torna mais importante é a descoberta de quem somos.
Foi o que aconteceu comigo nessa montanha no meio do deserto Mojave em 1971. De repente tudo desabou e vivenciei algo totalmente novo e completamente inesperado. Tornei-me o Universo, um com o Criador e todas as Criações. Compreendi que todas as coisas estão ligadas e interligadas, que tudo está relacionado com tudo o mais e cada coisa neste mundo afecta todas as outras coisas no mundo.
Foi como tornar-me são, depois de ter estado louco toda a minha vida. Claro que a minha mãe mais tarde interpretou isto exactamente ao contrário. Senti pela primeira vez que a vida fazia perfeito sentido, e toda a minha ânsia por segurança, riqueza e fama era vazia e ridícula, e sentia-me finalmente em paz. As duas únicas coisas que realmente importavam agora era partilhar esta experiência com outros e continuar a descobrir mais sobre esta espantosa viagem que é a vida. Estes dois desejos inspirar-me-iam para sempre. São a motivação para a escrita desta história e deste livro.
Na altura, não tinha nenhuma explicação para o que tinha acabado de me acontecer, mas instintivamente sabia que era algo de imenso. Nunca mais voltaria a ser a mesma pessoa que subira o cimo daquela montanha. Uma energia poderosa e indescritível passava através de mim. Era como se Deus e eu fôssemos um. O mundo inteiro era eu e eu era o mundo inteiro. Sou todas as coisas e todas as coisas são eu. Senti como se toda a minha vida tivesse andado sempre em frente como uma locomotiva a duzentos quilómetros à hora, e de repente tivesse feito uma guinada para virar exactamente no sentido contrário. Uma grande compaixão surgiu naturalmente sem esforço. A única coisa que importava, era despertar e ajudar os outros a fazer o mesmo.
Mais tarde naquela noite um dos meus amigos disse que parecia falar como um mestre Zen. Não sabia nada sobre Mestres Zen ou sobre o Zen, mas não consegui dormir toda a noite porque a energia continuou a fluir através de mim, como se eu fosse um canal para algo maior que este corpo limitado. De manhã, sentei-me na caravana e percebi que a minha vida nunca mais seria a mesma, e sabia o que deveria fazer. Quando voltei a Long Beach no domingo à noite, rompi com a minha companheira e iniciei a viagem em que ainda estou."
De Big Mind, Big Heart, de Genpo Roshi, trad. de Margarida Cardoso
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